se você realmente acredita que o amor se transforma, vai.
eu desejo pra você um caminho gostoso de muito sol e sombra de árvore. frutas menos ácidas. som de passarinho, ao invés do violão mal tocado. palavras doces. verdades inventadas com amor. colo quente no inverno. brisa no verão. coragem para escolher. sabedoria para responder com carinho quem carinho lhe oferece. mais e mais escuta. desejo uma companheira linda. que te ame quase todos os dias. que questione menos a vida e as coisas. que te faça cafuné e te balance na rede pra te acalmar. que te beije dormindo pra ver você sorrir sem nem perceber. que te escolha todos os dias para ser feliz.
se você realmente acredita que o amor se transforma, vai. mas eu acho que quem se tranforma somos nós. e o nosso amor vai ficar lá, escondido e negado pela força que todo adulto aprende a ter. e minha hora vai chegar, eu sei.
Matofino
Segunda-feira, Dezembro 06, 2010
Terça-feira, Julho 13, 2010
alguém me disse que o nome disso é fé

nessas férias só vou receber ligações de bons amigos. vou conhecer novos amigos. nessas férias eu vou dançar com desconhecidos e vou berrar todos os obrigadas que não tenho porquê. nesse mês de julho, mais frio que o frio que jamais encontrei, eu vou correr pra neve. vou me deixar congelar. nessas férias eu vou me cansar de uma vez por todas das pessoas que me testam, das pessoas que me desacreditam, das pessoas que precisam da minha excessiva atenção. vou desistir das pessoas que atacam para se defender. nessas férias eu vou ser ímpar. leve. vou ser um dia de cada vez. vou ser desapegada. vou ser amada. vou ser menos dolorida. menos culpada. vou ouvir as 1883 músicas do meu itunes, sem exceção. vou ouvir o meu playlist predileto pra chorar. meu playlist predileto para sorrir. e vou criar meu playlist para o mundo girar. eu vou fazer a minha música. eu vou fazer a minha foto. eu vou descobrir que meu Haagen-Dazs predileto pode ser outro. nessas férias vou agradecer os desencontros. nessas férias vou escolher ser feliz. e quando já em casa, renovada e aquecida, me doar com a calma de quem ainda tem a vida inteira.
Domingo, Agosto 30, 2009
Carta de amor que teima em não amarelar
Acho que estamos partindo. Indo embora, entende? Sinto isso. Alguma vez você já pediu pra alguém ficar na tua vida? Eu já. Não funciona. Barco furado. Então desaprendi. E não sei se essa capacidade me será algum dia restituída. Nem sei se ao perdê-la me tenha sido levada também a alternativa de ter-te por perto. Mas já não me constrange a possibilidade do desencontro. Quando tinha 17 anos acreditava que na vida a gente vai agregando agregando agregando e hoje, anos depois, me parece muito mais um universo de trocas. Estamos irremediavelmente sós. SOS. É uma constatação. E já nem é triste.
Com que boca pedir para que alguém fique se o encanto é ver o desenho que os passos livres descrevem em nossas vidas e em nossos corpos? E na minha ciranda as pessoas decidem entrar e sair, por mais que isso me doa. Por mais que vendo-o dormir deseje baixinho que não partas e não me deixes partir.
Com que boca pedir para que alguém fique se o encanto é ver o desenho que os passos livres descrevem em nossas vidas e em nossos corpos? E na minha ciranda as pessoas decidem entrar e sair, por mais que isso me doa. Por mais que vendo-o dormir deseje baixinho que não partas e não me deixes partir.
Além do mais, escolher conhecer alguma coisa é, antes de escolher conhecer uma coisa naquele momento, é escolher não conhecer uma infinidade de outras naquele mesmo instante. Já achei que fosse cegueira, não acho mais. Pode ser até que este pensamento tenha crescido por uma vontade própria de justificar minha vergonha por desconhecer tanta coisa que gostaria de ter escolhido há 10 anos - como piano, por exemplo. Ah!, mas só eu conheço o pôr-do-sol da penúltima terça-feira visto bem do centro da pedra mais alta do Arpoador. Assim como conheço tantas outras coisas que você não conhece por ter, talvez, escolhido conhecer as coisas que eu queria ter conhecido quando era criança e só começo a me aproximar agora.
Isso não é uma despedida. Tento aqui sublinhar o meu não-desejo de propriedade, só vale se forem vontades confluentes. Creio que ninguém ganha e ninguém perde se nossas mãos resolverem alcançar outras cirandas, outras canções. Somos livres. Não será a primeira, nem a última vez. Disso estou certa. E não há lugar para rancor. Poderás olhar para trás quantas vezes quiseres, sabendo que a volta também é um caminho novo - não espere o mesmo trajeto da ida. Terei sempre olhos brilhantes pra ti e orgulho por termos nos escolhido em algum momento. Só não posso esperar por você nem por ninguém. Te desejo sempre uma boa viagem. Pra qualquer lugar.
Quarta-feira, Agosto 19, 2009
Sábado, Julho 04, 2009
Terça-feira, Junho 30, 2009
Domingo, Junho 21, 2009
Mar
grande nadadora que sou
recolho minha insignificância
quadrada
bunda enterrada na areia quente
duma praia que absolutamente não reconheço
como não reconheceria a perna mecânica do Roberto Carlos
ou você
se me aparecesse assim
meio assim assim
não o reconheço
somente marolinhas no mar
marolindas
como um beijo azedo
esperando o beijo bom
recolho minha insignificância
quadrada
bunda enterrada na areia quente
duma praia que absolutamente não reconheço
como não reconheceria a perna mecânica do Roberto Carlos
ou você
se me aparecesse assim
meio assim assim
não o reconheço
somente marolinhas no mar
marolindas
como um beijo azedo
esperando o beijo bom
Sexta-feira, Junho 19, 2009
dia de folga
corri para ver o pôr-do-sol que
desabou feito chuva sobre os meus cabelos
pés que me servem para correr ao encontro do mar
e da lama podre das calçadas de Copacabana
penso muito
das duas, uma
gostoso mesmo é me encontrar sozinha no meio de tanta gente
feliz quem tem algo com que se ocupar
desabou feito chuva sobre os meus cabelos
pés que me servem para correr ao encontro do mar
e da lama podre das calçadas de Copacabana
penso muito
das duas, uma
gostoso mesmo é me encontrar sozinha no meio de tanta gente
feliz quem tem algo com que se ocupar
Segunda-feira, Novembro 03, 2008
agorinha nesse instante
Falar sobre ele é falar sobre a fome. Sobre encontro. Sobre escolha. Sobre deliciar-se pelo caminho sem pressa de chegar.
É falar sobre mim.
Sobre o meu sincericídio.
Eu, que vasculho a calma aos 22 anos.
E minha agonia chata que acompanha toda vontade de quem tem fome e pouca delicadeza para comer pelas beiradas. Digo adeus à febre que acompanha o vício, para o calor do homem que escolheu ser meu.
E sei que nada mata a fome de uma vida inteira.
E acho que nunca estive tão feliz.
É falar sobre mim.
Sobre o meu sincericídio.
Eu, que vasculho a calma aos 22 anos.
E minha agonia chata que acompanha toda vontade de quem tem fome e pouca delicadeza para comer pelas beiradas. Digo adeus à febre que acompanha o vício, para o calor do homem que escolheu ser meu.
E sei que nada mata a fome de uma vida inteira.
E acho que nunca estive tão feliz.
Terça-feira, Junho 03, 2008
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