Com que boca pedir para que alguém fique se o encanto é ver o desenho que os passos livres descrevem em nossas vidas e em nossos corpos? E na minha ciranda as pessoas decidem entrar e sair, por mais que isso me doa. Por mais que vendo-o dormir deseje baixinho que não partas e não me deixes partir.
Além do mais, escolher conhecer alguma coisa é, antes de escolher conhecer uma coisa naquele momento, é escolher não conhecer uma infinidade de outras naquele mesmo instante. Já achei que fosse cegueira, não acho mais. Pode ser até que este pensamento tenha crescido por uma vontade própria de justificar minha vergonha por desconhecer tanta coisa que gostaria de ter escolhido há 10 anos - como piano, por exemplo. Ah!, mas só eu conheço o pôr-do-sol da penúltima terça-feira visto bem do centro da pedra mais alta do Arpoador. Assim como conheço tantas outras coisas que você não conhece por ter, talvez, escolhido conhecer as coisas que eu queria ter conhecido quando era criança e só começo a me aproximar agora.
Isso não é uma despedida. Tento aqui sublinhar o meu não-desejo de propriedade, só vale se forem vontades confluentes. Creio que ninguém ganha e ninguém perde se nossas mãos resolverem alcançar outras cirandas, outras canções. Somos livres. Não será a primeira, nem a última vez. Disso estou certa. E não há lugar para rancor. Poderás olhar para trás quantas vezes quiseres, sabendo que a volta também é um caminho novo - não espere o mesmo trajeto da ida. Terei sempre olhos brilhantes pra ti e orgulho por termos nos escolhido em algum momento. Só não posso esperar por você nem por ninguém. Te desejo sempre uma boa viagem. Pra qualquer lugar.

2 comentários:
você me surpreende. lindo. que lindo. De fato apenas a pouco tempo compreendi que junto ao amor nasce também a despedida. Sempre despedimos daquilo que amamos. Uma boa viagem para todos nós.
Gostei muito, bem verdadeiro! =D
Até,
Bianca
http://only-dark.blogspot.com/
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